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sexta-feira, 10 de junho de 2011

“Qual a importância do Cristianismo nos tempos atuais?”


por Athila José Tintino - discente de Filosofia pela FAJOPA (Faculdade João Paulo II)

Hoje em dia, percebe-se que muitas pessoas estão abandonando as religiões, e de modo especial as religiões cristãs, o catolicismo, por exemplo, por não encontrarem nelas as respostas aos anseios que suas culturas, principalmente aquelas que podem ser chamadas de intelectualizadas, como é o caso da cultura européia, lhe apresentam. Isto porque a aceitação de “um puro transcendente” se torna inviável quando a ciência, a economia, a filosofia e outras áreas da pesquisa conseguem explicar que, por exemplo, a riqueza e a pobreza não são provindas da benção ou da maldição de um Deus, ou, que as pestes não podem ser tomadas como um simples castigo, imposto por um Deus punidor, etc.

No entanto, diante da situação dita acima, não podemos simplesmente dizer que aqueles que não aceitam a “pura transcendência” não acreditam em Deus, pois, ao se depararem com as questões fundamentais da existência: de onde vim e para onde vou?, estes são quase que obrigados, a não ser por parte dos ateus convictos, a admitirem a intervenção de uma “mão criadora” que faz com que tudo possa vir à existência. Nesse ponto, o ateu Jean-Paul Sartre, numa entrevista a Simone de Beauvoir, diria que por mais que ele tenha negado a existência de Deus durante toda a sua vida, por ser esta uma idéia contraditória em si mesma, a idéia de “uma mão criadora” sempre o incomodou. Pode-se negar a existência de Deus, mas, desvincular-se da idéia de que é necessária sua participação no processo da criação é uma tarefa difícil e que, até então, vem mexendo com muitos pesquisadores, sobretudo no campo filosófico-teológico.

Diante disso, podemos considerar alguns pontos: a) as pessoas estão deixando de freqüentar os templos e as reuniões sagradas; b) sem, no entanto, perder a fé num Deus que, de certa forma, atua em sua vida. Trazendo essa realidade para o âmbito do cristianismo, tomando com especificidade a Igreja Católica Apostólica Romana, poderíamos dizer que esta não vem sendo vista como um vínculo entre Deus e sua Palavra-Encarnada com o povo. As pessoas, no mais das vezes, preferem “conversar com Deus” dentro do quarto, do que inseridas numa comunidade confessional, pois, “não se sentem bem lá” – este não “sentir-se bem” pode ser encarado de muitas maneiras: (1) uma pessoa anti-social, que não gosta de se “misturar” com outras pessoas; (2) a falta de tempo que o ativismo vem impondo aos indivíduos, impossibilitando a sua participação em afazeres de cunho religioso; no entanto, e na maioria das vezes, as pessoas não freqüentam tais grupos porque não vêem neles uma vivência daquilo que é dito nos Evangelhos, isto é, falta testemunho.

É necessário, portanto, que a Igreja reconheça a autonomia de seus membros e permita que a Palavra seja a grande mediadora do “parto” de fé e vida autenticamente cristãs de seus participadores. Andrés Torres Queiruga, em seu livro Fim do cristianismo pré-moderno, afirmará que será necessária uma coerência entre Palavra revelada e subjetividade, pois, caso contrário, pode-se apostar que o cristianismo continuará fadado à incoerência, não respondendo às questões postas pela atualidade, tendo em vista a autonomia que esta já alcançou até então. É necessário dar respostas à modernidade, é necessário que a Palavra se encarne hoje no meio da história, e não seja compreendida fora desse contexto. É necessário dar razões de uma esperança cristã, hoje, em meio a todos os apelos que a modernidade nos apresenta.

A Igreja será feliz quando recordar que seu real papel é realizar a interpretação dos sinais dos tempos para que o Evangelho de Jesus, o Cristo, “não morra em nossas mãos”. Assim como João Batista, o profeta que prepara os caminhos do Senhor, o cristianismo tem o dever de içar sua bandeira, na defesa dos valores cristãos, gritando sozinha, em meio ao deserto que a modernidade pretende criar, que acima de tudo está a dignidade da pessoa humana, local da resplandecência da face de Deus, afim de que “todos tenham vida, e vida em abundância (cf. Jo 10, 10)”.

Deve-se parar de semear uma fé de infante, de que tudo cai do céu, é necessário vivenciar uma fé arraigada no exemplo vivo de Jesus, o Nazareno, o Cristo. Viver a acolhida, o amor, o perdão, a comunhão, a participação, o entrosamento, para que o Evangelho, a proposta do Cristo, não seja um sonho, mas uma realidade atualizada, viva e eficaz.

A Igreja não é detentora da verdade absoluta, ela não é detentora do Evangelho, ela não é detentora do Cristo. Portanto, ela tem que assumir o seu legítimo papel de servidora da Verdade, servidora do Evangelho e servidora do Cristo através da vivência e estrutura interno-doutrinal, desta forma, a importância do cristianismo será reconhecida, mas, caso contrário, não passaremos de traidores do Cristo.

Concluindo, a importância do cristianismo hoje é justamente, como em tempos de outrora: ser fiel anunciador do Cristo por meio da vivência, do testemunho e da prática da fé, sem, para isso, perder suas características rituais, mas fazendo, também delas, meios de se assumir com mais concretude a proposta do Cristo. A esperança que Jesus tinha em seus seguidores era que eles “fossem pelo mundo e fizesse discípulos dele todos os povos (cf. Mt 28, 19)”. Logo, o cristianismo só terá importância, hoje, se viver, de fato, a esperança do seu grande instituidor, sem maculá-la com outras ideologias vinculadas a poder e status.

A Igreja deve cumprir sua missão seguindo os passos de Jesus e adotando suas atitudes (cf. Mt 9, 35-36). Ele, sendo o Senhor, se fez servidor e obediente até a morte de cruz (cf. Fl 2,8); sendo rico, escolheu ser pobre por nós (cf. 2 Cor 8, 9) ensinando-nos o caminho de nossa vocação de discípulos e missionários. No Evangelho aprendemos a sublime missão de ser pobres seguindo a Jesus pobre (cf. Lc 6, 20; 9, 58), e de anunciar o Evangelho da paz sem bolsa ou alforje, sem colocar nossa esperança no dinheiro nem no poder deste mundo (cf. Lc 10, 4ss). Na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho (DA, 2007, parágrafo 31, p. 25).

 
REFERÊRENCIA BIBLIOGRÁFICA

BIBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulinas, 1981.
DOCUMENTO DE APARECIDA. São Paulo: Paulus, 2007.
QUEIRUGA, A. T. Fim do cristianismo pré-moderno. São Paulo: Paulus, 2003.

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